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05 - A mulher no espelho

  • Foto do escritor: jeffpavanin
    jeffpavanin
  • 9 de dez. de 2025
  • 12 min de leitura

Atualizado: 12 de dez. de 2025

O resto da manhã do meu primeiro dia letivo foi um pouco tedioso. Após o intervalo, todos pareciam menos sonolentos, mas também menos dispostos a prestar atenção no que era falado. As duas aulas seguintes foram de Bioestatística e tive o prazer de descobrir, assim como meus colegas de sala, que um aluno da área de humanas também precisa aprender cálculos em nome da pesquisa científica. Descobri também, para minha surpresa, que o professor dessa disciplina estava substituindo Hector Moretti. Se eu não tivesse descoberto sobre o caso do desaparecimento dele com os garotos durante o intervalo, eu descobriria ali, mas em uma história com menos detalhes. Talvez o caso não tivesse me afetado tanto se a coisa realmente tivesse acontecido assim e eu provavelmente abandonaria minha busca por conhecer mais sobre o homem mencionado pelo meu avô na carta. Agradeci em silêncio por ter descoberto pelos garotos. O substituto se chamava Paulo Gomes, era um rapaz novo e pouco expressivo, tentou transmitir seus conhecimentos naquelas três horas sem muito entusiasmo. Aparentemente, a oportunidade de substituir um renomado acadêmico da Helicon não parecia muito animadora para ele. Introduziu a disciplina como tinha feito a Srta. Belvedere anteriormente - algo que deveria ser comum nas primeiras aulas - e dispensou a turma cinco minutos mais cedo.

Almocei sozinho no refeitório. Procurei Glauco e os outros garotos, mas não estavam em nenhum lugar visível, nem as meninas. Passei por Sebastian sentado em uma das mesas, mas ele não pareceu se importar em almoçar sozinho então eu não quis forçar intimidade. Como se isso fosse algo que eu faria. Enquanto eu comia o macarrão com bacon e vegetais, percebi que Sebastian atraía olhares de meninas em outras mesas. Ele era mesmo bonito. Tinha tirado o paletó e usava uma camisa branca de manga curta e justa, que realçava a silhueta de seus poucos músculos. Os cabelos, agora secos, caiam sedosos por sobre as orelhas e sua franja formava uma espécie de topete. Tinha os olhos escuros e a pele bronzeada, um nariz elegante, simétrico, que valorizava sua expressão. A boca carnuda completava o conjunto que dava a Sebastian sua presença tão marcante. Ele não parecia se importar com os olhares, deveria estar acostumado. Em nenhum momento Sebastian encarou os outros, mas quando terminou sua refeição e saiu da mesa, cruzou seu olhar com o meu e acenou. Devolvi o aceno. Não pude fazer mais do que isso, nem se eu quisesse, pois ele logo saiu do refeitório com a mochila às costas. Os olhares curiosos daquelas meninas, e de alguns meninos, seguiram Sebastian até que ele saísse do prédio para os jardins da Hélicon. A ideia de dividir meu dormitório com ele começava a me deixar mais nervoso do que deveria. Como seria dormir e acordar todos os dias no mesmo ambiente que aquele homem?

Poucos minutos depois, eu também saí do refeitório. Nenhum olhar me seguiu. Encarei o dia lá fora com uma energia renovada ao lembrar que eu teria a tarde livre. Eu me sentia animado para encarar o primeiro ano de aprendizado na universidade, mas o misterioso passado de meu avô ainda me deixava apreensivo. Se as coisas tivessem ocorrido como eu esperava quando saí de casa dias atrás, agora eu estaria me preocupando apenas em manter boas notas e um bom comportamento. Contudo, eu não tinha herdado só a fortuna de Ernesto Conti, mas também todos os seus pertences, seu gabinete e, aparentemente, seu legado na Helicon. Entre os Conti, meu avô era a única pessoa que me trazia uma sensação de familiaridade. Agora, a sensação talvez não fosse a mesma. Eu não me preocuparia tanto com o fato de as pessoas descobrirem que eu era um dos Conti se isso não significasse ser lembrado como membro de uma família de loucos. Diários rabiscados, conhecimento proibido, pessoas desaparecidas, ninguém em quem confiar… Minha mente repetia isso a todo momento. A verdade estava escondida em algum lugar e eu precisava encontrá-la logo.

Tinha prometido a mim mesmo que não voltaria ao gabinete tão cedo, mas me peguei caminhando até ele. Lá estava eu, com a chave em mãos, passando por aquela porta mais uma vez, sem saber o que procurar. Ninguém pareceu notar um calouro entrando em uma sala trancada e eu achei melhor assim. Não deu tempo de pensar em mais nada, pois, no momento em que fechei a porta e me virei para o cômodo, soltei um suspiro de surpresa. A atmosfera críptica que antes eu tinha sentido naquele lugar, trancado há treze anos, havia sumido. O jardim de inverno abandonado e tomado pelo mato seco estava agora vivo e era rico em cores, separado do resto do ambiente pelo vidro límpido como uma redoma protegendo uma obra de arte. O sol entrava pela clarabóia como se o dia lá fora não estivesse nublado e as luzes amareladas estavam acesas de uma forma que dava ao ambiente uma sensação de aconchego e não de abandono. As superfícies não estavam mais empoeiradas e as lombadas dos muitos livros pareciam até mais nítidas, me lembrando da quantidade de conhecimento que meu avô reunia naquelas prateleiras. O primeiro pensamento que tive, passada a surpresa inicial, foi o de que alguém tinha entrado ali de ontem para hoje. O que não fazia sentido, pois Agnes dissera que a única chave estava comigo e o cômodo não recebia visitas desde a morte de meu avô. Conte apenas com Hector durante sua vida na Hélicon. Não confie em mais ninguém. Aquelas palavras na carta começavam a fazer sentido.

Caminhei pelo gabinete observando outras diferenças no ambiente. Eu não lembrava de ter notado antes alguns objetos nas prateleiras. Ampulhetas, pequenas estátuas e outros instrumentos que eu não conhecia estavam dispostos entre os livros, vários até se movimentavam, com ponteiros ou pêndulos como em relógios. Algumas estruturas maiores pendiam do teto, penduradas tal qual peças em um museu. Muitos desses objetos refletiam pontos dourados ou prateados à luz das lâmpadas. Reparei que as gavetas e armários que tomavam parte da parede à esquerda estavam agora todos destrancados. Não havia sinais de arrombamento, era como se mágicamente os pequenos puxadores tivessem resolvido não resistir quando alguém tentasse abri-los. Os compartimentos continham caixas de madeira de todos os tamanhos, que guardavam mais objetos, livros, pequenos potes de vidro com líquidos coloridos e outros recipientes com ingredientes distintos. Nada estava catalogado ou nomeado com etiquetas e também por isso eu não sabia identificar o que eram. No cômodo ao lado a mesma coisa acontecia, os pequenos armários e gavetas também estavam todos destrancados. Não havia sinal de chaves em lugar algum. A caixa que guardava os diários que eu peguei estava onde eu deixei da última vez, no centro da mesa redonda. 

Apesar da surpresa em encontrar tudo diferente, o que mais me chamou atenção foi aquele espelho apoiado em uma das paredes da sala. A superfície que antes estava opaca e suja agora se encontrava extremamente cristalina, como um espelho deveria ser. Refletia a minha imagem e parte do cômodo ao meu redor com cores e arestas nítidas. Olhando mais de perto, percebi que a única coisa que o diferenciava de um espelho comum era um padrão intrincado de filetes dourados que tomava conta da superfície do espelho, o que eu não tinha notado na minha visita anterior. O padrão dourado surgia das margens do objeto, desde a moldura, e ia se ramificando até quase o centro, terminando em uma forma oval que emoldurava a imagem refletida. Eu me enxergava no centro dessa forma. Em alguns pontos as linhas brilhavam, mas pareciam não responder à iluminação da sala. Passei os dedos em um desses filetes. O que aconteceu a seguir me assustou a ponto de eu jogar todo meu corpo para trás.

Outra imagem apareceu no espelho. 

Sem aviso, uma silhueta perolada se espalhou por toda a extensão do espelho, surgindo a partir dos filetes dourados, por toda parte, como se respondesse ao meu toque. A imagem era turva, sem contorno definido, mas meus olhos espantados começaram a enxergar um rosto que ia se formando rapidamente, seguido também por um tronco e braços. A forma etérea parecia ser de uma pessoa que flutuava dentro do espelho, sua imagem sobreposta ao meu próprio reflexo. Quando enfim a silhueta se tornou mais nítida, aquele rosto se dirigiu a mim e, pasme, falou comigo.

"Sr. Conti. O senhor parece mais novo."

A voz era feminina, forte e adulta. Falou comigo como se me conhecesse, me chamou pelo sobrenome da família.

"Não, espera. Você não é o Sr. Conti. Se for, deve ter encontrado… Não seria possível…" Ela falava mais consigo mesma que comigo. Passou um tempo olhando para baixo com a mão no queixo, como se refletisse sobre algo. Olhou pra mim algumas vezes, ainda refletindo. "Não, deve ser um truque. Calma, quem é você?", perguntou ela, finalmente.

Seus olhos eram vívidos, grandes e continuaram olhando pra mim enquanto eu não respondia à sua pergunta. Estava assustado demais para elaborar qualquer frase, responder qualquer coisa. A forma dela era nítida, mas etérea o suficiente para que eu ainda pudesse enxergar meu reflexo no espelho, através dela. Parecia mesmo uma mulher adulta, formada por aquela estranha substância perolada, monocromática. Imediatamente pensei nas sílfides de Paracelso, criaturas elementais belas e graciosas geralmente relacionadas ao ar. Na mansão, eu havia lido um pouco sobre mitologia germânica e outras estruturas culturais que poderiam me ajudar a entender o que eu via em minha frente agora, mas nada foi suficiente. Sílfides não existiam. 

"Se você não é ele, como conseguiu entrar aqui?", continuou ela. Vendo que eu ainda não respondia, aquela imagem começou a se dissipar de novo para os filetes dourados.

"Espere!", consegui dizer. "Sou Anton Conti."

A menção do sobrenome da família teve o efeito que eu esperava, pois a imagem da mulher parou a meio caminho de seu sumiço e voltou a preencher o espelho. Ela se virou para mim novamente e me fitou com aqueles olhos grandes, como se pudesse enxergar até minha alma. Pensei que não fosse mesmo uma sílfide, pois em muitas histórias aqueles seres fluíam com o ar, com roupas e cabelos esvoaçando, graciosos, mesmo que estivessem parados. Não era o caso dela. Seus cabelos eram longos, mas caíam atrás de si com a gravidade comum. Usava um vestido comprido e volumoso, também comum. Nada na sua imagem transmitia a atmosfera etérea das sílfides das histórias, a não ser, claro, aquele brilho perolado que emanava dela como um vapor que a seguia até em seus mínimos movimentos.

"Anton", repetiu ela, "Parece com Charles, só que um pouco mais novo. Eu não sabia que o Sr. Conti tinha outro filho".

Eu jamais, em toda a minha vida, havia sido comparado ao meu tio. Todos diziam que a genética Conti tinha pulado Charles, que envelhecia feito uma fruta podre. Comparavam meu físico ao da minha mãe, sempre, que também aparentava fragilidade desde muito nova, assim como eu. Também estranhei que aquela pessoa tenha dito que eu parecia ser só um pouco mais novo que meu tio, que tinha quase quarenta anos.

"Charles é meu tio e é muito mais velho que eu", resolvi dizer. "Sou neto de Ernesto."

Eu estava mesmo conversando com uma pessoa dentro de um espelho? Ainda por cima dizendo para ela de quem eu era neto? Eu senti como se estivesse enlouquecendo. Percebi que estava ficando meio zonzo, por instinto puxei uma cadeira e me sentei. O fato de a mulher estar se referindo ao meu avô e a pessoas de minha família, além de estarmos dentro do gabinete dele, local que eu buscava entender como seguro, talvez tenha aliviado o peso que aquele assunto tinha sobre mim.

"Você é o neto de Ernesto? Céus. Em que ano estamos?", ela perguntou, assustada.

Eu respondi. Ela ficou ainda mais assustada. Mais uma vez começou a murmurar coisas para si mesma, esquecendo momentaneamente que eu estava ali. Ela começou a andar de um lado para o outro e, conforme fazia isso, sua imagem entrava e saia do espelho, como se o cômodo refletido do outro lado também fosse um espaço físico. Não demorou muito para que ela voltasse uma terceira vez para mim. Começou a me bombardear de perguntas:

"O que aconteceu com o Sr. Conti?", foi a primeira delas. "Seu avô estava aqui ontem, ao menos para mim parece que foi ontem."

"Meu avô faleceu há treze anos. Eu fui ao velório", respondi. Eu ainda me sentia estranho respondendo àquela mulher refletida em minha frente. Segurei-me na cadeira.

"Mas… Onde estão os outros? Masuyo, Rudra, Hector, todo mundo?".

Aqueles nomes de novo. Tudo tinha a ver com a carta, com os diários rasurados, com os mistérios que Ernesto Conti tinha deixado para eu desvendar. Pensando bem, era eu quem deveria estar fazendo as perguntas agora, mas resolvi seguir o fluxo.

"Eu não sei quem são os outros. Aliás, eu sei sobre o Sr. Moretti".

Engraçado, eu havia descoberto sobre o desaparecimento do professor horas antes, participado da disciplina que ele lecionava nesse mesmo dia e agora estava falando sobre ele com uma mulher desconhecida e refletida magicamente em um espelho. A Hélicon de meu avô não parava de me surpreender.

"O que tem ele? Vai dizer que morreu também", indagou ela, incrédula.

"Eu não sei… Ele está desaparecido desde o final do ano passado. Algumas pessoas, estudantes, acham que ele pode estar morto. Meses de buscas sem sucesso, sabe?"

"Meses? Céus… Sem Ernesto e Hector, como estão as coisas?".

"Que coisas?", eu não queria soar estúpido com aquela mulher. Talvez ela pudesse me ajudar a entender meu avô. Queria começar tudo de novo. "Olha, eu sei tanto quanto você. Podemos começar nos apresentando. Você já sabe o meu nome e quem eu sou, posso saber qual é o seu?"

Pela primeira vez naqueles poucos minutos, a mulher no espelho pareceu se acalmar.

"Eu devo estar parecendo uma louca para você", desculpou-se. "Acredite em mim, eu não enlouqueci ainda. As pessoas me conhecem por Hista, pode me chamar assim".

A menção de seu nome me lembrou outro daquela lista: Histalamar. De fato, Hista deveria ser uma abreviação. Ela fazia parte daquele grupo de pessoas da foto. Resolvi não me importar com isso, por enquanto. A prioridade era dar algum sentido para tudo.

"Hista, certo. E o que é você?", lancei a pergunta sem pensar muito. Eu precisava saber.

"Sou amiga de seu avô e dos outros. Você parece não saber muito… Ernesto Conti era mesmo um homem de segredos. Lembro de você criança, Anton, bem novinho. Só não sabia qual era o seu nome, Ernesto nunca comentou comigo ou com os outros. Era muito reservado sobre a sua vida pessoal… Eu o visitei uma única vez na sua residência, pelo draemyr que ele mantém, ou mantinha, na biblioteca. Lembro de você com o nariz nos livros".

Eu queria perguntar tanta coisa. O que era um draemyr? Como ela tinha me visto na biblioteca? Sua fisionomia não despertou nenhuma lembrança e meu avô não recebia visitas quando permanecia na mansão. Antes que eu pudesse perguntar qualquer outra coisa, Hista continuou suas reflexões:

"Treze anos… Como eu consegui ficar adormecida por treze anos? Céus, a última vez que isso aconteceu eu ainda estava…" Ela não completou o pensamento em voz alta. Não parecia estar focada particularmente na situação atual, ela falava como se tentasse entender alguma coisa.  Só depois de um tempo de reflexão ela voltou a sua atenção para mim. Parecia espantada. "Eu não consigo me lembrar! Minha memória… Tem alguma coisa errada, me sinto estranha. Existem espaços em branco na minha memória."

Eu não sabia como responder a isso. Ela se sentia estranha e eu também. 

"Qual é a última memória que você tem?", tentei. "Digo, antes de se deparar aqui comigo."

Mais uma vez, ela pensou.

"Esse é o problema. Eu não sei", respondeu. "Sei que estava com o seu avô, mas aí aconteceu alguma coisa… Alguém entrou no gabinete. Sim! Alguém entrou no gabinete e chamou seu avô, mas não sei quem foi."

Certo, ela esteve com meu avô antes de estar aqui comigo. Bizarro pensar que, na experiência única dela, haviam se passado poucos minutos entre um momento e outro e, para mim, eram anos. Ainda mais do que treze, se for pensar bem. Ela não tem memória da morte dele… Pensei que fazer outras perguntas não faria mal.

"Sobre o que vocês falavam antes disso? O que estavam fazendo?"

Outra reflexão antes da resposta.

"Eu não me lembro. Céus, que sensação péssima! Minha memória costuma ser excelente. Tenho muitos, muitos mesmo, anos de vida e me lembro de muita coisa, Anton. Eu já ajudei a vencer uma guerra. Eu já passei por inúmeros lugares até vir para este, tão desprovido de vida. Como eu posso esquecer de eventos tão recentes? Isso só pode ser culpa de outro como eu".

Nessa hora os olhos dela se arregalaram. Ela se demorou em pensamentos novamente, até pareceu se esquecer de que não estava sozinha no gabinete. Parecia vasculhar em sua mente seus muitos anos de história. Em sua indignação, ela disse que tinha vencido uma guerra. Qual das guerras? Eram tantas na história do planeta. Quais lugares Hista deveria ter visitado nesses anos todos que estava na companhia de meu avô? Que eu me lembre, ele não era de viajar. Não passava muito tempo longe da mansão quando não estava na Helicon. Só se ele viajava nos dias que eu achava que ele estava na universidade. E como ela viajava se vivia dentro de um espelho. Quem é realmente essa mulher? Meus devaneios iam longe e a essa altura eu já estava cansado de nenhuma resposta.

"Hista, eu preciso saber o que você sabe", comecei. O som da minha voz trouxe ela de volta de seus pensamentos. "Meu avô deixou muitas perguntas para mim e até agora não encontrei nenhuma resposta".

A mulher no espelho não era Hector e não tinha sido mencionada na carta, mas eu precisava confiar em alguém que estava vivo. Ou que ao menos parecia estar. Resolvi confiar nela, ainda que no momento ela não me transmitisse a sensação de ser alguém de confiança. 

"Se eu puder responder, farei de bom grado. Mas saiba, Anton, que pelo jeito eu talvez não possa".

"Você conviveu com meu avô. Você o conheceu assim como eu. Talvez tenha passado mais tempo com ele do que eu, que ainda era uma criança quando ele morreu. E você… bom, esteve com ele ontem, na sua experiência. Conversou com ele. Certamente você pode me ajudar".

Hista soltou um suspiro que parecia estar segurando há algum tempo. Olhou para mim com aqueles olhos enormes, como se pudesse ver através de mim, e concordou.

"Certo. O que você quer saber?"

Comecei o meu bombardeio de perguntas.

E, finalmente, recebi algumas respostas.


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